ESPECIAL • ITAJAÍ + NAVEGANTES • 6 DE NOVEMBRO DE 2026
Esporte • História • Solidariedade
Itajaí e Navegantes: duas cidades, um mar e uma história de amor pelo surfe
Da Atalaia e da Praia Brava ao Pontal e ao Gravatá, atletas, projetos sociais e o exemplo do Surfar é Vida, idealizado por Fernando Júnior (Fuça), mostram que a maior vitória pode acontecer fora da água.
Por JV News | Jovipetrans • Reportagem especial • 6 de novembro de 2026
Arte editorial da JV News em homenagem ao surfe e ao projeto Surfar é Vida. Montagem ilustrativa inspirada no litoral, não uma fotografia documental nem anúncio de um novo campeonato.
Uma história que o Rio Itajaí-Açu não separa
O Rio Itajaí-Açu marca a geografia de duas cidades, mas não divide a paixão pelo mar. A Praia da Atalaia e a Praia Brava, em Itajaí, e o Pontal, a Praia Central e o Gravatá, em Navegantes, compartilham gerações de surfistas, histórias, escolas, fabricantes de pranchas e encontros que ajudam a contar a identidade do litoral catarinense.
Os registros de patrimônio cultural de Navegantes recuperam um marco dos anos 1970: uma competição nacional da marca Gledson, iniciada na Atalaia em janeiro de 1976, teve sua conclusão nos molhes de Navegantes. Desde então, o surfe cresceu em diferentes modalidades, com atletas de base, veteranos e profissionais.
Quando uma criança aprende a remar, quando alguém fabrica uma prancha ou quando uma associação organiza um campeonato, o esporte também movimenta cultura, trabalho, turismo e pertencimento.
SURFAR É VIDA: a onda do bem que merece destaque
O protagonista solidário deste especial é o Surfar é Vida, projeto idealizado pelo surfista Fernando Júnior, conhecido entre amigos como Fuça. A iniciativa reúne praticantes, associações e parceiros em ações voltadas ao apoio de famílias ligadas ao tratamento contra o câncer na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), em Itajaí.
De acordo com uma apresentação institucional de um dos apoiadores, o Surfar é Vida completa seis anos em 2026. O projeto transformou o ambiente das competições em ponto de mobilização para arrecadar alimentos e estimular a solidariedade.
Em fevereiro de 2024, a Associação de Surf Praias de Itajaí (ASPI) divulgou o Surfar é Vida — A Onda do Bem Surf Session, no Quiosque Q5 Madalú, na Praia Brava, com inscrição associada à doação de um quilo de alimento. O convite era para a comunidade participar do esporte e contribuir com as famílias em tratamento oncológico.
Em maio de 2025, um encontro de surfe-treino da ASPI reuniu cerca de 30 atletas na Praia Brava; a inscrição foi gratuita e os participantes foram convidados a levar um quilo de alimento não perecível para o Surfar é Vida.
Em junho de 2025, a primeira etapa do Circuito Navegantes de Surf também vinculou as inscrições à entrega de alimentos destinados ao projeto. A corrente solidária atravessou o rio, demonstrando que o trabalho social não pertence apenas a um bairro ou a um município.
Em 2026, a parceria continuou. A divulgação da terceira etapa do Circuito Municipal de Navegantes, prevista para 2 de novembro na praia do Gravatá, estabeleceu a contribuição de um quilo de alimento por competidor em benefício da Unacon por meio do Surfar é Vida. As fontes públicas documentam essa programação, mas não trazem um balanço final verificado de doações.
A maior conquista do projeto não é medida em pontos, manobras ou troféus. É a possibilidade de reunir pessoas em torno de uma causa e transformar paixão pelo mar em cuidado com famílias que precisam de apoio. Por isso, seu idealizador e seus voluntários merecem reconhecimento.
Itajaí: Atalaia, Praia Brava e a força da ASPI
Os molhes da Atalaia e a Praia Brava são referências históricas para o surfe de Itajaí. A ASPI mantém um calendário de competições, atividades de base e ações ambientais que reúne profissionais, jovens e veteranos.
Em 2026, o Itajaí Open levou aos molhes da Atalaia atletas com histórico internacional, como Luan Wood, Matheus Navarro e Nacho Gundesen, em um encontro de gerações e de diferentes estilos de surfe.
Além de baterias e premiações, o trabalho esportivo da cidade inclui estímulo à participação feminina, projetos de iniciação e ações de cuidado com a praia. Essa variedade é parte importante do legado de Itajaí.
Navegantes: do Pontal às decisões nacionais
Em Navegantes, o Pontal e o Gravatá formaram gerações e ajudaram a construir uma cultura própria, com professores, fabricantes, comércio e organização esportiva. A Associação Navegantes Surf Clube (ANSC) participa dessa história e do calendário competitivo.
Em setembro de 2025, o CBSurf Navegantes Festival terminou com 30 títulos nacionais definidos em provas de Master, Longboard e Stand Up Paddle. Carlos Bahia, Chloé Calmon, Luiz Diniz e Gabi Sztamfater estiveram entre os vencedores da semana.
Entre 23 e 27 de setembro de 2026, a Praia Central de Navegantes recebeu a decisão do Surf Brasil Base: 106 atletas de 13 estados disputaram títulos brasileiros nas divisões Sub-12, Sub-14, Sub-16 e Sub-18, no masculino e feminino. A competição também fez parte do processo de seleção para o Mundial Júnior da ISA de 2027.
A presença de jovens surfistas locais, como Kauanny de Souza, reforça o significado desses eventos: o talento da cidade pode aprender e competir ao lado de atletas do país inteiro.
Histórias do litoral que chegaram ao cenário internacional
O alcance internacional da região aparece também em trajetórias de superação. Natural de Navegantes, Rafael Lueders chegou ao pentacampeonato brasileiro de parasurfe em 2026, na categoria PS-S2, depois de construir uma trajetória marcada por conquistas mundiais.
O exemplo de Rafael mostra como estruturas de treinamento, acesso, apoio e respeito à diversidade ampliam a participação no esporte. O litoral não é apenas palco de eventos: também forma atletas que representam Santa Catarina e o Brasil.
O próximo capítulo: inclusão, oportunidades e praias preservadas
Para além do Surfar é Vida, Itajaí e Navegantes têm escolas, ações de iniciação e atividades de inclusão que merecem espaço contínuo na imprensa e no planejamento esportivo. Crianças, mulheres, pessoas com deficiência e famílias que não podem arcar com equipamentos precisam encontrar oportunidades de acesso seguro ao mar.
Fortalecer o surfe também significa registrar a memória dos pioneiros, apoiar instrutores qualificados, proteger a restinga, acompanhar a qualidade da água e cuidar das praias para que as próximas gerações possam desfrutá-las.
Campeonatos movimentam a economia e projetam as cidades. Mas o legado verdadeiro está no que permanece depois da desmontagem das estruturas: mais aprendizado, mais saúde, mais comunidade e mais solidariedade.
A última onda da reportagem é a mais importante
Itajaí e Navegantes têm muitas razões para se orgulhar de seus surfistas. Os campeões merecem aplausos, os pioneiros precisam ser lembrados e os jovens necessitam de oportunidades.
Mas o Surfar é Vida traz uma mensagem que ultrapassa qualquer classificação. Uma medalha pode ficar na estante; um gesto de solidariedade continua fazendo diferença depois que a última onda quebra na areia.
Surfar é vida. E, quando o surfe encontra a solidariedade, a onda chega ainda mais longe.